“Penso, logo existo” – “Penso, logo desisto”

*Por Cris Paiva, mentora em comunicação.

A famosa frase de Descartes, “Penso, logo existo”, associa a nossa existência à capacidade de pensar. Você já vivenciou situações em que a sua capacidade de pensar prejudicou a sua existência? Calma, vou explicar melhor.

Os nossos pensamentos estão atrelados a um conjunto de crenças e princípios que podem nos direcionar a um caminho de conquistas relacionadas aos nossos propósitos ou podem nos prejudicar rumo aos nossos objetivos.

Qual a relação disso com o tema comunicação, Cris?

O que você pensa pode refletir negativamente na sua fala

Pensamentos de fragilidade como: “Não vão acreditar em mim”, “Vão achar que estou enrolando” podem impactar na fala e nos gestos. A voz tenderá a ficar trêmula, frágil e aguda. A fala poderá apresentar alongamentos excessivos, hesitações e articulação imprecisa.

Quando alguém se expressa dessa forma, certamente terá a credibilidade comprometida. O ouvinte poderá ter a percepção de que a pessoa está enrolando e ganhando tempo para pensar em uma mentira. Muitas vezes, ela só está se sentindo insegura justamente porque pensou que ninguém acreditaria nela. E o resultado?  Pode ser que essa pessoa não consiga alcançar os objetivos pretendidos: fechar um projeto, vender uma ideia, dar visibilidade a um produto ou serviço… E, por fim, esta consequência, infelizmente, reforça o pensamento anterior.

E, claro, entendendo o efeito gerado pelo pensamento e pelo comportamento comunicativo, qual o caminho as pessoas seguem? “Penso, logo desisto”.

Vejo diariamente pessoas que perdem oportunidades por desistirem da exposição ou por não apresentarem uma performance comunicativa que transmita credibilidade. E o grande vilão são os pensamentos enfraquecedores.

Os pensamentos podem agir de maneira a fortalecer ou prejudicar o desempenho da fala. Se a pessoa avaliar que está diante de um perigo ou risco, pode ser que ela sinta a necessidade de se retirar do ambiente, perca a conexão com a mensagem ou até mesmo que não faça uma leitura tão apropriada do ambiente e do público. Mas se encarar a situação como um desafio, ela pode escolher se posicionar como alguém que deseja ser compreendido e quer chegar a um acordo.

Os pensamentos influenciam a maneira como nos sentimos. Esse mecanismo de ativação das emoções nos faz demonstrar pela linguagem não verbal sinais que serão interpretados pelo outro como positivos ou negativos. Se nos sentimos pouco confiantes, podemos transmitir a imagem de insegurança. Se nos sentimos animados, podemos passar a imagem de empolgação. Mas nem sempre essa lógica prevalece. Por isso, para evitar equívocos, coloque o foco na mensagem e na conexão com o outro e abandone os pensamentos que podem prejudicar o seu desempenho.

Elimine pensamentos que geram insegurança

Quero te contar um fato que aconteceu com um cliente que atendi. Ele trouxe o seguinte relato para a mentoria: “Cris, estou conseguindo me expressar de forma clara, concisa e bastante confortável nas reuniões com os meus clientes. Mas houve uma situação em que me senti inseguro. Fui pego de surpresa em uma reunião pela presença inesperada de uma profissional que tem a fama de ser mais rígida e crítica. Naquela ocasião, ela também tinha o poder de decisão sobre o fechamento de um acordo. Foi aí que percebi a falta de segurança bater à porta”.

Eu logo quis saber qual foi o resultado da conversa. E ele me disse que, apesar da sensação de insegurança, conseguiu fechar o acordo no negócio.

Claro que ele já estava conseguindo gerenciar sua comunicação pelo treinamento que estávamos fazendo. E isso ajudou a saber como lidar com a dificuldade que ele encontrou durante a reunião. Por isso, te digo: dominar o pensamento é fundamental para elevar o desempenho. Quando os pensamentos enfraquecedores surgirem, pense no resultado, no contexto, na conversa, no público e na mensagem. Não abra espaço para pensamentos que geram insegurança. Garanta ainda mais firmeza na fala, use ênfases e domine o seu corpo falando com bastante convicção. Usar conscientemente os recursos não verbais do corpo e da voz ajudará a estabelecer a confiança mais rapidamente. Até porque a imagem projetada será de segurança e convicção e os resultados na interação reforçarão pensamentos que fortalecem a confiança.

Fato é que o corpo e a voz respondem rapidamente aos comandos do cérebro. Mas para bloquear esse ciclo de pensamentos que geram insegurança é importante questionar o seu sistema de crenças. Adote também um tom de voz e uma postura corporal confiantes. Sim, isso é possível.

Pensamentos e fala são comportamentos automáticos, mas podem ser modificados a partir da ativação do estado de consciência e da sua capacidade de controle.

Tente inserir os seguintes questionamentos antes de falar:

1- Como eu me sinto? Por que eu me sinto assim?

2- Devo acreditar nesse pensamento? Quais evidências mostram que ele não é verdadeiro ou que é verdadeiro?

3- Qual evidência eu devo trazer para a fala?

4-Qual é o meu ponto fraco? Existe uma estratégia para lidar com essa fragilidade?

5- Em que devo acreditar?

Lembre-se: clareza e confiança são os alicerces de uma fala de alto desempenho. Por isso, é importante observar o que se passa na sua cabeça e cuidar dos seus pensamentos. Eles vão influenciar diretamente a performance da sua fala.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Fill out this field
Fill out this field
Por favor insira um endereço de email válido.
You need to agree with the terms to proceed

Menu